Convivendo com a esclerose múltipla: um relato de quem enfrenta a doença há 12 anos
- 28 de out. de 2017
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A Esclerose Múltipla é uma doença autoimune que afeta o cérebro e o sistema nervoso central. O sistema imunológico que normalmente destrói organismos estranhos como bactérias e vírus, no caso do portador de esclerose múltipla, promove de forma errada, ataques contra o organismo. É uma eterna luta para fazer com que o organismo não se destrua. Sem cura, a doença precisa ser controlada para diminuir a frequência das crises e consequentemente aumentar a qualidade de vida do paciente.
Agora que você já sabe um pouco sobre a esclerose múltipla, é hora de conhecer a história de Fátima Regina Matielo Galli. Professora e bibliotecária aposentada, casada e com 61 anos, há 12, Fátima convive com a esclerose múltipla remitente recorrente, EMRR, a manifestação clínica mais comum da doença, caracterizada por surtos que permanecem por dias ou semanas e, em seguida desaparecem. Ela conta que a descoberta da doença mesmo foi em 2005, mas os primeiros sintomas apareceram há tempos, ainda na juventude. Visão dupla e perda de visão, formigamento nos membros e desmaios. Fátima fez diversos exames, mas não recebeu nenhuma conclusão médica. “Não foi fácil chegar ao diagnóstico da esclerose, quando estava com mais ou menos 32 anos, eu sofria muito com dores de cabeça e fadiga, fui até São Paulo em um conceituado neurologista, o Dr. Roberto que após muitos exames detectou manchas no meu cérebro, mas o diagnóstico não foi fechado. Na época ele disse que eram calcificações”, explica Fátima.
Aos 50 anos Fátima começou a sentir novamente as dores no corpo, formigamento, visão dupla, escurecimento da visão, fadiga e cansaço que não passavam. Assim iniciou uma maratona pelos médicos, muitos exames, consultas e nenhum diagnóstico. Foi então que Fátima se consultou com uma neurofisiologista, a Dra. Sheila, e através de ressonância magnética e de um exame de Liquor – Líquido Cefalorraqueano, também conhecido como líquido da espinha, foi detectada enfim, a esclerose múltipla. “Quando recebi o diagnóstico não fiquei muito surpresa, confesso que já esperava por isso, tendo em vista as pesquisas e os estudos que fiz sobre, foi uma fase bem dolorosa”. Fátima enfrentou o tratamento com muita fé e com toda certeza de que tudo daria certo, pois o seu maior sonho era ver a filha formar em Medicina, casar e ter filhos. “Eu tinha muita coisa ainda para fazer e não podia ficar presa numa cama”, contou com bom humor. A reação da família inicialmente foi de preocupação e de medo do que poderia acontecer nos próximos anos, mas o apoio e o carinho de todos eram maiores e davam ainda mais força.
Tratamentos
Iniciou com uma injeção importada da Alemanha e custeada pelo governo, já que pagar por esse medicamento era praticamente impossível, em função do alto custo. A injeção semanal trouxe esperança, mas também fortes efeitos colaterais. “Ficava na cama dias, era muito sono, muita fadiga, ânsia, tontura, só levantava três dias depois. Fiquei por três meses na casa da minha mãe, onde recebi todo amor, carinho e compreensão que tanto necessitava naquele momento. Fiz uso de corticoide e analgésicos, o tempo foi passando e os efeitos colaterais surgindo ainda mais, fiquei enorme, parecia um monstro de tão inchada, meu manequim anterior era 42 e pulou para 52”, conta Fátima.

O tratamento foi por cinco anos, até que aos 57 anos, um problema cardíaco teve que interromper o uso das injeções semanais. Com o coração estabilizado, tudo começou a melhorar: as crises ficaram espaçadas e a vida passou a ter novo sentido. Atualmente, a paciente faz uso de vitamina D e de corticoide. Em uma eventual crise, analgésico também é necessário.
Dermatofuncional
Com o momento crítico superado, Fátima sentiu necessidade de fazer algo para ajudar a melhorar as terríveis dores nas pernas e panturrilhas, foi quando conversou com a fisioterapeuta Marielle Almeida, especializada em Dermatofuncional que propôs um tratamento com drenagem linfática, massagens e uso de compressas quentes nas pernas. Quando começou o tratamento na dermatofuncional, Fátima associou a isso, uma nova alimentação, com a eliminação de glúten e lactose da dieta. Os resultados foram surpreendentes. “Em quatro meses já me sentia ótima, aumentou a autoestima e aquela fadiga já não existia mais”. Desde que iniciou este tratamento, Fátima não teve mais crises e há um ano deixou de usar o corticoide. “No período do tratamento estético perdi 10 quilos. Quando comecei estava com 90 quilos, hoje estou com 79 quilos, uma conquista fantástica para mim”, comemora Fátima.

Saudável e feliz, Fátima reconhece os benefícios trazidos pela dermatofuncional. “O tratamento indicado foi maravilhoso, pois com o incentivo que recebo das meninas, quando estou realizando os procedimentos, minha autoestima vai lá em cima, me sinto super bem e super querida. Posso dizer que a dermatofuncional mudou minha vida, minha qualidade de vida, meu bem estar, meu relacionamento com o mundo, me ajudou e me incentivou muito no caminho do tratamento que necessito da esclerose múltipla”.

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